02/07/2017

CARTA ABERTA À VINCENT



- foto: Tumblr

Excelentíssimo Vincent, 

Preciso começar essa carta com um pedido de perdão. Sei como as pessoas não foram boas com você. Mas elas nunca são. Aliás, elas não são boas com as melhores pessoas. Parece que elas têm algum tipo de sinal para serem bem estúpidas quando estão com 
almas cheias. Então, por favor, aceite meu pedido de desculpas como forma de redenção por essas almas tão vazias. Ninguém nunca me pediu desculpas.

Caso tenha aceito meu humilde pedido, continue a carta.

Sim, eu sabia. Você não me deixaria na mão. Deixar na mão é mais uma daquelas gírias de jovens, sabe? Tipo, não desapontar. E tipo é a famosa palavrinha odiada e amada pelos professores de português, mas que pode ser substituída por exemplo, por exemplo.

Agora que sei que você insiste em continuar, vamos ao ponto: obrigada. Você achou mesmo que eu não iria agradecer por tanto talento, sentimento e cor? Vamos lá, cara. Primeiro a redenção, logo, a gratidão. Amigo Vincent, -posso te chamar assim?- ao observar o mundo com seus olhos, eu vi coisas não vistas antes. Peguei emprestado do seu peito, toda cor, amor e dor -nessa ordem, respectivamente-  e pude visualizar beleza em pontes, árvores, natureza-morta e qualquer outra coisa. Prestei mais atenção na ação do amarelo e como a alegria de sua cor mais profunda entra e faz morada. Talvez eu me pinte de amarelo um dia e viva intensamente, pelo menos por um dia.

Não sei se segue uma ordem, mas também não sei seguir regras/teorias/pessoas/ordem. O que eu sigo -e você também- é algo um pouco mais profundo: o sentimento. Propositalmente deixei em aberto qualquer que seja o seu pensamento sobre sentimento nesse momento. Pense rápido: o que você sente agora? Transforme-o em Arte. Não pinte o que as regras ditam, nem se prenda ao Impressionismo de Monet ou até mesmo as obras de seu grande amigo, Gaugin. A sua Arte vem daí, desse peito. Peito este, cheio de sentimento. Sentimento, insisto em frisar, é livre. Você é livre. 
Com amor,
Uma amiga.

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28/05/2017

ASSOCIAÇÃO NADA POÉTICA SOBRE UM VIDRO, OU ALGO ASSIM


- foto: Shelyra -

Vamos falar sério. Assunto de gente grande.

Quebrar uns vidros não é pior que quebrar a Constituição. Aliás, o que é Constituição? Aquele livro que mais é pisado que o tapete do banheiro? Ou aquele livro velho todo sujo de poeira, porque ninguém o lê? Constituição é Constituição, pô. Constituição é instrução da mãe que descartamos como latinha de refrigerante.

Espera, onde estávamos? Sim, sim. Nos vidros. Uma pedra aqui, outra ali. Quem se importa? Todos os dias nossos direitos são quebrados, um a um, por um governo ilegítimo. Todos os dias nosso trabalho quebra com nós, trabalhadores, de tanto nos fazer trabalhar. Todos os dias nossos políticos quebram os direitos humanos. Todos os dias quebram nossos cidadãos na paulada, oferecendo todo aquele discurso baboso de meritocracia. Todos os dias pedreiros quebram muros para criar espaço para mais uma concentração de terras nas mãos dos oligárquicos.

Vidros são materiais. Se for chorar por conta de um vidro, aproveite e chore por toda a perda de direitos, conquistados com tanto choro, luta e quebra. Hoje vamos quebrar, amanhã também. Tem uma pedra no meio do caminho. Passo um: Pegue a pedra. Dois: Mire. Três: Jogue. Quatro: Diretas Já! 


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10/05/2017

SOBRE ESCREVER


Resultado de imagem para tumblr armas e flores




 se escrever não te mata a cada linha.
 recomece,
 você está fazendo errado. 


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09/04/2017

Ó ABRE ALAS



Abre alas
Do mundo, da Terra,
Do céu e das estrelas.
O meteoro vem correndo.
Abram as portas da poesia.
Deixe livre o lápis.
Mais papel, por favor. 
Apague a borracha.
Por um momento, liberte. 
Todos os pensamentos abstratos, 
concretos e idealizados.
Esqueça gramática.
Peque por excesso.
Nocauteie o limite.
Abra alas,
nem o céu é nosso limite.
Chame a criatividade.
O sentimento.
Estrelas.
Qualquer coisa.
Ó abre alas.
Tá chegando.
Como vai,
licença poética?
- Livre. 


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12/03/2017

OITO

Uma vida.
É isso o que representa oito de março.
Uma vida inteirinha.
Uma vida pautada em repressão,
Desigualdade e submissão.
Uma vida de luta.
Luta escondida no interior.
Luta reprimida por mortes e violência.
Luta persistente.
Luta que perpetua uma vida.
Décadas, gerações, anos-luz.
Oito de março é mais que um número,
Muito mais que um feriado.
Mais ainda que flores.
É luta.
É resistência.
É união.
É revolução.
Oito de março marca de sangue.
Oito de março é o dia da mulher.
Oito de março é luta.
Luta de uma vida. 
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