16/11/2017

ISSO NÃO É TUDO

-foto: Tumblr -

O grande quê de ser um em Cristo é saber que isso não é tudo. É saber que isso tudo é um pedaço do quê verdadeiro. Isso tudo passa. E tá tudo bem. E tudo isso um dia acaba, mesmo não nos importando mais porque entendemos que sempre esteve tudo bem. E tá tudo bem. 

E eu sei que é uma caminhada extremamente dolorosa até chegarmos ao parágrafo a cima. E às vezes -sempre- as lágrimas em nossos olhos vão deixar nossa visão embaçada e ás vezes, elas vão servir de bebida para nossos lábios e às vezes elas vão regar o nosso jardinzinho e às vezes, só às vezes, vamos repensar em nossos atos, por mais certos que eles estejam. 

Mas tá tudo bem. E você sabe disso. Sabe que as lágrimas são necessárias para regar o jardim em nós, sabe que temos sede e que precisamos saciá-la, sabe que em meio ao deserto pensamos em regressar. E tá tudo bem. A questão aqui é muito além de máscaras em nós. A questão aqui é mostrar o que se é, o que se tem, o que se sente. (mesmo que isso seja extremamente difícil)

E isso não é tudo. Isso não é o fim. O fim está naquilo que Ele diz que acaba, o fim vai além do final do túnel, o fim está no Ômega. O nosso Ômega. Quando andamos pelo túnel, com a visão embaçada pelas lágrimas, e não vemos mais o fim, Ele -sorria, por favor-, Ele está ali, puxando-nos para fora, porque o Seu poder se aperfeiçoa em nossa fraqueza. E quando nossos ossos tremem, Ele simplesmente para o Universo para conversar conosco e dizer que os terremotos nos dão medo, mas nos faz ficar mais atentos à natureza da vida. 

Então é hora. Hora de limpar toda lágrimas dos olhos, as lagrimas verdadeiras, do seu quarto, de madrugada, sozinha. É hora de retomar a corrida. É hora de olhar para o Ômega em vida. É hora de correr desse mundo. É hora de tampar os ouvidos e olhos para aquilo que te faz regressar ao cativeiro. É hora de esperar atenta ao jardim crescendo em ti. E ver como as mudinhas estão crescendo e como elas eram apenas sementinhas e um dia, elas serão árvores viçosas e grandes. Mas, por enquanto, elas precisam ser regadas. Porque ainda não é o fim. O fim vem quando Ele disser que é o fim. O fim vem quando Ele quiser. O fim vem quando Ele vier. Ainda não acabou. 
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19/10/2017

AZUL COMO O CÉU

-foto: Umnie - 

Nunca fizera tanto frio como naquele ano. E um bom frio sempre combina com um café bem quentinho, um livro novinho e uma cama confortável. Ou uma poltrona. Para a leitura fluir melhor e o café não derramar todinho. E ali estava o rei. Sentado em sua poltrona vermelha em um momento um tanto quanto íntimo. Apenas lia, mas gostava de uma conversa com a sua alma. Sozinho. Só de vez em quando.

A questão é que aquele bocado de pessoas ao seu redor, cobrando-o sobre assuntos governamentais, pessoais e sentimentais, às vezes, o deixava meio maluco. Mas eram crises de segundos. E os segundos não são eternos. Pois bem. O frio assolava toda a cidade, e às pessoas, não só o rei, buscavam, de qualquer forma, uma forma de cobrir-se, de sentirem-se confortáveis e quentinhos. Com qualquer coisa. Tudo era válido naquela ocasião. 

Mas a questão é que o danado do rei não estava confortável e totalmente bem. Falta Algo. Você sabe não é mesmo? Os seres humanos, meu Deus, nunca estão satisfeitos com nada. Nunca estão satisfeitos com o Nada. É fato que queremos e precisamos de Tudo. E aquele sentimento afligiu nosso rei. Calma. Era um homem bom, fazia coisas boas e queria o bem de todos. Mas às vezes, isso tudo não era necessariamente essencial e confortável. Ainda sim, aquele rei do um gosto literário incrivelmente bacana sentia falta de algo que confortasse o seu nada. 

A poltrona vermelha. 

Depois de um dia inteiro lendo naquela poltrona vermelha, percebeu. 1) Aquela não era necessariamente a poltrona ideal. 2) O que não te mata, te faz mais forte. Forte como se é em um braço de ferro contra alguém muito maior que sua pequenez. Ideal e forte. Duas oposições. A bolha. Mas era mesmo, ele precisava rever suas prioridades. A poltrona vermelha, mesmo que, difícil de ser dito, não era a certa para ele. 

Contudo, tinha que ser lembrada. A poltrona vermelha fora uma querida em tempos antigos. Era vermelha cor de sangue, marcante. Brilhava naquela loja esquecida. Era confortável até para os olhos. Mas ninguém a via. Coitadinha. O rei, quando em passeios, passava pela loja, e seus olhos brilhavam com aquela irradiação de sangue vermelho em seus olhinhos. Mas não dizia nada. Até que, por fim, um camponês a comprou. E aí, sabemos, foi só tristeza e humildade. Tudo junto. Precisava mesmo chorar pelo leite derramado e humilhar-se àquele camponês, de menor tamanho e menor classe social. Você sabe né, para recuperar o que nunca fora dele. E, enfim, conseguira. Mesmo que contra-vontades. Conseguira e a levara para casa com ajuda de um servos, embrulhada e guardada em sete chaves. 

E agora, ali, no presente, percebia: a poltrona vermelha não era a ideal. Suas costas doíam e seu dia terminava bem mal. Era hora, mesmo que com o coração sangrando, de dizer adeus e devolver ao camponês. Mas que loucura, a posse não é das melhores. E o rei da cidadezinha pensou e pensou e pensou. Talvez, mas só talvez, aquele momento fosse uma exceção. As costas doíam, mas o coração não. Não, é hora. Diga adeus. 

E foi-se. Tchauzinho grande poltrona vermelha. Os súditos logo trataram de levar ao camponês e o rei, naquele friozinho, ficara ali, deitado na cama. Mas algo tão lindo como a renúncia ao menor não deveria terminar ali por ali mesmo. E lembrou-se de um Presente. No porão. Com certeza, havia-se esquecido completamente. O Presente. Correu todo o gigantesco palácio à procura dele. Na verdade, dela. Uma poltrona ganhada, de graça, de um grande Amigo. E adivinhem? Azul. Azul como o céu. E adivinhem? Maior. E adivinhem? Mais confortável. E adivinhem? Não dava dor nas costas. E adivinhem? Pesava algodão. E o próprio rei a levara para seu quarto, feliz. E ali, em sua poltrona azul como o céu, lia e pensava. E o azul como o céu, o fazia lembrar de sua Casa.   

12/10/2017

O CAMINHO DA ESPERA

- foto: Flickr

Toda vez que olho para o relógio eu tenho uma pequena crise de loucura, mas é porque o tempo me deixa meio louca. O tempo é meio louco. Mas, muito mais louco é a forma como ele corre. E olhando o relógio eu penso, "meu Deus, socorro." Mas acho que o mundo sente-se assim. É realmente muito insano a forma como o mundo manda você tentar correr contra o relógio. Imediatismo, o nome. 

Mas acontece que no Evangelho as coisas não são assim. Somos respeitosos, pessoal - mas deveríamos ser ainda mais - e umas das coisas que nós primeiro respeitamos, é o relógio. Você sabe né, o tempo é incontrolável e quando as coisas não estão mais em nossas mãozinhas de porcelana, colocamos-as nas Mãos de ferro do Papai. Somos filhos muito frágeis e precisamos muito do amparo do Abba. Ele é nossa proteção. 

Onde estávamos? Ah sim, no tempo. Ele é incontrolável e não, não temos muitos poderes contra ele. Somente o de fazer hoje. O presente é nosso. E o presente é lindo. O presente é um presente do Papai para nós mesmos. Não podemos de forma alguma e hipótese nenhuma, esquecermos disso. O presente é agora e é um momento lindo para fazermos tudo melhor. O presente é nosso e nós podemos, ah, como podemos, sermos melhores. Melhores do que nós mesmos.

Calma, eu já vou relacionar com o título. O caminho da espera. Temos caminhos para seguir, isso sabemos. E a caminhada não é fácil, ah como nós sabemos. Mas, o que parece que não sabemos, é que, antes de enfrentar uma longa caminhada difícil e cheia de obstáculos que te levam para uma mesa cheia de Amor com o Autor da vida, antes disso, é preciso pegar um outro caminho: o da espera. E isso é muito estranho, fala sério, um caminho que, caminhando, te faz esperar. Mas lembre-se, esperar é sempre caminhar. E, acho eu, que é o caminho mais difícil de todos. E sim, mais difícil que o da perseguição e da dor. 

Sim, vou explicar. Quando começamos a conhecer Jesus e viver Jesus, o que nós mais queremos é correr para os braços do Pai, fazer discípulos e levar Jesus para todos. Correndo. Mas, como Deus é bom e justo - Justo, muito Justo - Ele te pede calma e te leva para o caminho da espera. E você fica ali, queimando e esperando. É o caminho mais difícil de todos, eu disse. Mas é um caminho de crescimento. O caminho da espera não significa, em hipótese alguma, que você vai ficar parado olhando o vento passar, deitado em uma rede sentindo a brisa refrescante do dia. Se você pensa assim, perdoe-me, mas não. Você terá que andar, correr e viver. Como um teste para o caminho profundo, sabe? 

Traduzindo: você terá que caminhar. Esperar em Deus é caminhar. E você sentirá um crescimento espiritual mais profundo do que qualquer outro. E você se sentirá forte e capaz. E você será provado. E você caminhará. E você cairá. E você pensará em desistir. E você sentirá o Amor do Papai envolvendo você. E você finalizará esse caminho. E você começará outro. E você verá que Ele é fiel. Deus é fiel. Leia de novo e reflita: Deus é fiel. E verdadeiro. É a própria Verdade. Esse caminho aí, leitor (a), é um protótipo do que Ele tem pra você. É o caminho mais difícil, mas é o caminho de crescimento. A vida é para os grandes, ou o filho de Grande, dizia alguém. Você é filho de Alguém grande. E você tem que crescer em graça e sabedoria. Espera que o outro caminho já vem. Espera e caminha. Olhe para o chão. A trilha de sangue te mostra que o caminho é o certo. Tão somente espera e caminha. 

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28/09/2017

ME MATE

- foto: Flickr

Pai, a morte é necessária. Sei que o mundo tem medo dela, uma vez que ela leva para sempre as coisas, pessoas e seja lá o que for, mas eu não tenho mais medo, Pai. Você tirou de mim todo medo. Medo de seja lá o que for. Você tirou de mim. Tudo. E nesse processo, Pai, Você se tornou meu Tudo. 

E hoje, esta é minha oração. Me mate. Paizinho, por favor, eu imploro. Mate toda essa vontade inútil de criar a mim mesma nesse labirinto perdido que é o mundo. Mate minhas próprias vontades. Mate minhas paixões. Mate minha carne. Mate meu desejo. Mate meus sonhos. Mate meu querer. Mate minha vida, pois quero viver. Eu quero viver Contigo. Papai, escute o grito da minha alma. Me mate agora, Pai.

Papai, leve de mim todo esse querer do meu corpo. Eu sei que não é fácil lidar dia após dia contra esse mundo. Eu sei que não é fácil dizer "não" para o meu querer. Mas eu quero morrer, Pai. Cansei de fazer as coisas pela minha vontade. Pai, Você é tudo o que preciso, Paizinho, escute o clamor da minh'alma. É por Você, Pai. Eu quero gastar toda minha vida aos Teus pés, Pai. Deixa queimar

É isso. Coloque fogo em toda minha vontade, na minha carne. O Seu Fogo. Deixa ali queimando todo esse querer bobo que minha cabeça e meu corpo fazem. Queima essas distrações, Pai. Queima com o Fogo Santo. E deixa ali, queimando. Vem agora, aqui, no meu coração. E queime. E não deixe o Fogo morrer, Pai. Peça ao Santo Espírito que me ajude a incendiar meu pobre coraçãozinho todo dia. Não deixe esfriar, Pai. Papai, Queime em mim.

Não me importo, Paizinho. Não me importo com o que as pessoas vão dizer, com o que vão pensar. Não me importo se vão zombar, apreciar. Eu Te quero, Pai. Vem aqui, incendeia meu ser. Você é Tudo o que preciso, Papi. Eu te amo, Papi. Me escute. Não se esconda de mim, Pai. Me mate para que eu viva. Me mate para que Você viva em mim. Por favorzinho, eu te imploro, vem. Quero gastar minha vida aos Teus pés, ali, fazendo carinho, lavando e beijando. Eu Te quero, Pai. E quero o que Você tens para mim. Não me importo com nada. Você é Tudo.

Digo mais uma vez: me mate. Me mate e leve de mim tudo aquilo que Te leva de mim. Tira do meu coração, arranca essa raiz fincada de emoções tão tristes, queima todo esse mato velho e inútil de mim, Papai. Estou correndo, Você vê?, estou correndo do medo e da ansiedade, correndo para Seus braços. Tu és Tudo o que preenche meu ser. Nada mais satisfaz minha alma como Você, Jesusinho. Lindo. Eu te amo, Noivo. Purifica Tua Noiva, Pai. Purifica. Me mate, Pai. Eu quero morrer. Mesmo que isso custe. Eu vou pagar o alto preço de ser um só coração em Ti. Não me importo. Me mate, Papai. Tire de mim eu mesma. Para que Você cresça. Para que Você viva.

Me mate, pois quero Viver. 
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21/09/2017

A CERTEZA DO INCERTO


- foto: Flickr -

O mundo é um grande gênio da lâmpada que grita em nossos ouvidos "faça três desejos" o tempo todo. O tempo todo. Com todos. Sem sequer uma oportunidade de pensamento. E o que você tem é a apenas a tão temida decisão. Urgente. Por que diabos você está pensando? Decida logo. Três desejos. 

Eu não te culpo. Calma. Não vou te julgar. Eu também fiquei surpreendida quando fui questionada e posso dizer, com toda tranquilidade do mundo, que me desesperei no principio. E eu, angustiada, gritava ao vento que me deixasse pensar. Como tudo nesse mundo, ele - o gênio - nem se importou com minha escolha meticulosa e me deixou ali, pensando. Posso dizer que nem notei quando ele foi embora e ia dizer o primeiro pedido - pediria algo como passar numa faculdade ou felicidade ou, talvez, paciência - quando percebi que eu estava sozinha ali. De novo. Sozinha com a brisa da manhã. Ele estava com pressa, pensei decepcionada. Como todos desse mundo. 

Mas, foi quando esse doido saiu correndo de mim, ali, sozinha e preparada, que eu percebi que 1) eu precisava de algo que não fosse tão momentâneo e 2) eu não precisava estar decidida. Percebe? O gênio correu de mim, mas eu consegui perceber que o que eu precisava ele não podia me dar. Grifei a palavra mesmo, leia ela de novo, se preferir. Sabemos, eu e tu, leitor, que o, às vezes, toda hora, o mundo irá te pedir que você decida como quem decide que número de roupa comprar: rápido e certo. Mas, se você também não respondeu como eu, está tudo bem. Existe beleza no Incerto.

Vou relatar aqui o que aconteceu quando o gênio correu de mim. Antes, eu pensei bem. E fiquei bem tristinha. Talvez tenha batido aquela crise existencial, sabe? Mas, tudo bem, de novo, porque, voltando para casa esbarrei em Alguém esquecido. Tivemos uma daquelas saudações tímidas e ligeiras, fazia tempos que não nos falávamos. Mas, Ele, muito educado, me convidou, leia de novo, por favor, me convidou para tomar um cafézinho. E foi ali, naquele fim de tarde, com cheirinho de café, que percebi. Percebi algo muito bonito. Vou dizer para você. Percebi que minha única certeza estava no Incerto. Ali, com Ele. Percebi que não, eu não precisava de nada daquilo que eu ia pedir. O que eu precisava mesmo era o Incerto. Ali, com Ele.

E então, eu vi flores. Você já viu a beleza dos ipês-rosa nessa estação? Rosas como poesia. A Poesia viva do Autor. Esqueci-me completamente do maluco da lâmpada e foquei na Poesia Viva. Perdemos tanto encantamento focando na pressa do mundo. É só focar na Poesia Viva. E ai, depois do café, eu corri. Corri com velocidade, corri para fugir do medo e da ansiedade, corri como quem corre para o Pai. Corri veloz e ágil e parei quando vi o Monte. Eu nem sabia direito, e ainda nem sei, quem dirá?, mas eu parei ali. No Monte. Com os ipês-rosa. Com a Rocha. E fiquei ali, debaixo de uma árvore bem bonita, olhando para Ele. Eu não sei direito, mas fiquei ali, descansando da corrida e de todo o dia maluco com o gênio maluco. Fechei os meus olhos e descansei no Incerto. Eu não sei, mas vou descansar.